Capoeira: Saúde em forma de arte, música, cultura e energia

Do site Capoeira Gerais (www.capoeira.esp.br/index2.htm)
A Capoeira surgiu no Brasil como instrumento de luta dos escravos negros pela liberdade. Seus movimentos buscaram inspiração nas defesas e ataques dos animais (a marrada do touro, o coice do cavalo, a fisgada do rabo da arraia) e na ação de instrumentos de trabalho (o martelo, a foice). História da Capoeira
No período da colonização inicia-se o tráfico de escravos para a América, os negros eram aprisionados na África, trazidos e vendidos para o trabalho forçado em regime de completa escravidão.

Para tornar o negro escravo, os escravistas suprimiam sua cultura, sua alma e torturavam. Interessavam apenas pelo corpo, sua força de trabalho. Esta situação desumana a que foi submetido o negro, não foi suficiente para suprimir sua condição de ser inteiro, de corpo e alma.

A Capoeira nasce neste período, os negros a criaram para utilizá-la como luta no momento preciso para sua defesa e para os instantes de folga para se divertirem, para relaxar do trabalho forçado, as torturas e a condição de escravo. As perseguições iniciam-se, os senhores proibiam sua prática por vários motivos, nem sempre conscientes em suas mentes.
· Dava ao capoeirista um sentido de nacionalidade, individualidade e auto-confiança;
· Formava grupos coesos;
· Formava jogadores ágeis e perigosos;
· E, as vezes, no jogo, os escravos se machucavam, o que era economicamente indesejável.
Desde o seu início a Capoeira foi perseguida, o capoeirista era considerado um marginal, um delinquente, em que a sociedade deveria vigiá-lo e as leis penais enquadrá-lo e puni-lo. Foram séculos de perseguição até quase os dias de hoje.

Na década de 1930, se inicia um novo ciclo na história da Capoeira, nesta época a situação do país não era nada boa, estávamos em pleno regime de forças, e dentre as leis penais, existia uma que considerava os capoeiristas como delinquentes perigosos, a situação andava preta para os capoeiristas. Manuel dos Reis Machado, Mestre Bimba, nesta época foi convidado pelo interventor federal na Bahia, Juracy Montenegro Magalhães, a ir ao Palácio do Governo. Mestre Bimba ficou assustado, achou que seria preso. Para sua surpresa, o governador queria que se apresentasse com seus alunos para mostrar "a nossa herança cultural" para amigos e autoridades no Palácio do Governo. Em 09 de julho de 1937, Mestre Bimba consegue o registro de sua Academia, reconhecida pela Secretaria de Educação, Saúde e Assistência Pública, primeira academia reconhecida no país.

Inicia-se a ascensão sociocultural, a Capoeira volta ao cenário cultural, está presente na música, nas artes plásticas, na literatura, nos palcos. Termina a fase negra em sua história, onde a Capoeira e todas as formas de manifestações culturais ficaram totalmente marginalizadas pela sociedade, a Capoeira sobrevive, o negro preservou sua luta, e ao transformá-la fizeram-na brasileira. De nada adiantaram as perseguições, devemos aos negros essa capacidade de resistência e luta de sobreviver em condições as mais duras e difíceis.

A Capoeira nos dias de hoje, vem adquirindo maior número de adeptos de todas as raças e camadas sociais do Brasil e até de outros países. E é desses outros países que a Capoeira, devidamente ganha projeção mundial por ser uma arte em ritmos e movimentos que exprimem toda a criatividade de um povo que foi oprimido. Com todo esse desenvolvimento, a sociedade ainda desconhece os verdadeiros valores e as contribuições que podem advir do conhecimento e prática da Capoeira.
Zumbi de Palmares
A criatura que chamamos ZUMBI nasceu livre em qualquer ponto dos Palmares, em 1655. Talvez no começo do ano, quando a água nas cisternas é pesada e morna; talvez no meio ou no fim, quando o chão está coberto de buritis podres.
Um dia saberá bastante sobre ele. Milhares de documentos amarelos, difíceis de ler, guardam a história do preto pequeno e magro que venceu mais batalhas do que todos os generais juntos da História Brasileira terrível às cercanias de Porto Calvo. Diziam outros que a moça lhe fora ao encontro de próprios pés; terceiros, que era herdeira de família senhorial extraviada nas brenhas vizinhas de Palmares. Até aqui, os papéis amarelados, de sintaxe arrevesada, não disseram sim ou não à legenda romântica.
Tudo começou com um Brás da Rocha que atacou Palmares em 1655 e carregou, entre presas adultas, um recém-nascido. Brás o entregou, honestamente, como era do contrato, ao chefe de uma coluna, e este decidiu fazer um presente ao cura de Porto Calvo. Padre Melo achou que devia chamá-lo "Francisco".
Não podia, naquele momento, adivinhar que se afeiçoaria ao pretinho. Se pode imaginar que não foi das piores a infância de Francisco. O padre talvez o batesse, como mandava a época, mas não lhe faltou alimento e remédio. "Quem dá os beijos, dá os peidos", dizia o povo. Padre Melo achava Francisco inteligentíssimo; resolveu desasná-lo em português, latim e religião. Talvez olhasse com orgulho o moleque passar com o turíbulo, repetir os salmos.
Francisco apreciava, certamente, histórias da Bíblia. Havia esta, por exemplo: Um sacerdote de nome Eli, velho e piedoso, aceitou na sua casa um menino chamado Samuel. Samuel ouviu que lhe chamavam "Samuel! Samuel!" isto foi antes que a lâmpada de Deus se apagasse no templo do Senhor: ali dormia a Araca de Jeová.
Samuel foi até o quarto de Eli: "O senhor me chamou? Estou aqui..."; "Não te chamei, filho" - respondeu o velho - "Torna-te a deitar." Na terceira vez, Eli compreendeu de quem era a voz "Vai te deitar, e quando te chamarem de novo responde: Fala, porque o teu servo ouve." Assim fez, e a voz queria que ele a seguisse; e deixou um recado para o sacerdote: que julgaria a sua casa para sempre, pela iniquidade que ele bem conhecia, porque fazendo-se os seus filhos indesejáveis, não os repreendeu.
Numa noite em 1670, ao completar quinze anos, Francisco fugiu. Aos quinze anos deixaria a liberdade e o conforto de Padre Melo para voltar a Palmares. Aos vinte e três anos recusou a paz que Ganga Zumba firmara com os brancos, paz que lhe garantia a liberdade pois nascera em Palmares. Aos vinte e cinco anos, incompletos, fechou, enfim, a última porta: continuaria em Palmares para combater. Zumbi dos Palmares foi por muito tempo - até hoje no Brasil - recordista de vitórias militares.
Zumbi liderou Palmares por muitos anos. Guerreiro impartível, venceu mais batalhas do que todos os generais juntos, da História Brasileira. Zumbi tinha uma grande diferença desses generais, que combatiam para conquistar territórios ou para escravizar. Zumbi lutava para sobreviver e não ceder à escravidão. Zumbi é o maior símbolo de resistência de nossa história.
O QUILOMBO DE PALMARES
O Quilombo de Palmares resistiu aos ataques das expedições mandadas pelos seus governadores da época, quase por um século, vindo a ser destruído em 1694, pelo bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, o qual já era exímio caçador e assassino de índios, não se sabendo quantos mil índios este homem matou, sabendo que ele partiu contra Palmares, com toda fúria e ira, com seus canhões cuspindo fogo. Seus soldados massacrando mulheres e crianças sem um pingo de compaixão. Zumbi e seus guerreiros lutavam como nunca, pois esta era a batalha final. Zumbi lutou até o último momento, mas foi impossível vencer os canhões de Domingos Jorge Velho.
Domingos, comandante do exército colonial, nunca tinha visto nada parecido em toda sua vida. Custava a crer que fosse obra de negros. Entre o verde do mato e o azul puríssimo do céu - numa extensão semicircular de cinco quilômetros e meio - se erguia a escura muralha de troncos e pedras. Dez homens, um de pé no ombro do outro, não tocariam sua borda. Olhando melhor se descobria que não era uma, mas três muralhas - e tinha redentes, guaritas, quebrava em diversos lugares, abria torneiras para atiradores a cada dois metros. Domingos ordenou que batedores se aproximassem; caíram nos fossos que circundavam a fortificação e agonizavam, estrepados em puas de ferro que entravam pela virilha e saiam na garganta. Um dos subcomandantes lhe deu, então, a idéia de construir contracercas de proteção, enquanto traçavam o plano final de ataque. Foram erguidas, de troncos de árvores, rapidamente - cada uma com quinhentos metros. Na antemanhã de 23 de janeiro, mal se aquietou a lúgubre orquestra de sapos. Somente um capitão, com cinqüenta homens, conseguiu sob uma chuva de flechas e balas encostar na muralha palmaria, atacando-a com machados. Os quilombos, lá do alto, lhes abriam as cabeças com pedregulhos enormes, pescando os sobreviventes a gancho, pelas costas.
Fracassado o assalto, Domingos temeu pela própria segurança do seu acampamento. Mandou buscar reforços no Recife; vieram cerca de duzentos homens e seis canhões. Inútil, mesmo sob proteção das contracercas, a distância continuava demasiada para o alcance dos canhões. Os pelouros caíam murchos, como bexigas de brinquedos, em terra de ninguém. Na noite de 5 de fevereiro, a raiva de Jorge Velho cedeu vez à inteligência. Ela se sentou na rede, chamou os subcomandantes e traçou com um graveto, no chão, a única saída.
Imediatamente ordenou que começassem, em silêncio, a construção desta nova contracerca, oblíqua à muralha palmarina. Deviam levá-la até encostar no grande precipício esquerda do Macaco, tão rápido que tivesse pronta a clarear do dia seguinte. Então, veriam aqueles negros do diabo.
Quando, no meio da noite, Zumbi de Palmares descobriu o ardil de Jorge Velho, sua primeira providência foi executar o sentinela que não dera o alarme.
O desespero, talvez mais que a raiva, explica essa violência miúda no turbilhão de uma guerra total. Zumbi de Palmares estava mais uma vez encurralado e com uma única chance de escapar. Até quando teria que jogar aquele jogo sem fim? Há pelo menos 25 anos, ele, pessoalmente, ganhava e perdia batalhas. A guerra tinha, no entanto, cem anos, desde que aquele punhado de negros incendiou a fazenda do amo, no sul de Pernambuco, e se abrigou na Serra, fundando Palmares. Zumbi juntou os comandantes e oficiais.
Possivelmente, então, lhes confessou o fracasso do plano que urdira, atrair o exército colonial em peso para uma grande batalha às portas da capital e massacrá-lo. Se perdessem, os sobreviventes poderiam recomeçar em outro lugar - eles seriam o novo Palmares. Se vencessem, o governo colonial ficaria de tal forma fraco e desmoralizado que aceitaria Palmares como nação soberana. Em qualquer dos casos, Palmares viveria.
Na beira do abismo, do lado ocidental da fortificação, restava uma passagem que o inimigo não tivera tempo de fechar. Por ali sairiam os guerreiros - somente os guerreiros, sem mulheres e crianças - rápidos e mudos. Recompostos em algum ponto, recomeçariam a guerra.
Quando passaram os últimos, porém, rolaram pedras. Um mameluco abriu fogo sobre eles. Sem saber se combatiam ou escapavam, os guerreiros palmarinos se entrechocavam. Foi o pânico. Perto de duas centenas despencaram pela cratera sem fundo. Jorge Velho não quis persegui-los. A caça melhor estava dentro. Mandou os canhões cuspirem fogo contra a cidadela. Pelos escombros da formidável parede, a multidão de índios, mamelucos e soldados finalmente penetrou em Palmares. Na sua fúria nada deixaram de pé ou inteiro.
Zumbi vendo a batalha perdida, fugiu para tentar construir um novo Palmares, mas um ano mais tarde, foi traído, vindo a ser morto nas brenhas da Serra Dois Irmãos por volta de cinco horas da manhã de 20 de novembro de 1695. Seu corpo foi esquartejado, sua cabeça ficou exposta em uma praça em Recife para servir de exemplo para aqueles que quisessem resistir a escravidão.
Morreu, mas não se entregou ao cativeiro. E a cultura afro-brasileira está mais forte do que nunca, como a Capoeira, o Maculelê, a dança afro, o samba e muitos outros segmentos.
A Capoeira foi registrada por alguns na história do Quilombo de Palmares, por isto acreditamos que em cada movimento ou gesto da cultura afro-brasileira, Zumbi renasce.
A Capoeira é a luta de resistência, é uma luta de quebra de preconceitos. A Capoeira traz uma magia, que encanta pessoas de todas as raças e classes sociais, fazendo com que elas se integrem e construam um mundo sem preconceitos e discriminações. Era por isto que Zumbi lutava não só por liberdade, mas também por igualdade. E a Capoeira traz esta proposta, e é por isto que é impossível falar de Capoeira sem falar neste baluarte da nossa História Brasileira. Isto foi apenas um resumo da história de Zumbi de Palmares. Comemoramos o 20 de novembro, não como a morte de Zumbi, mas sim como a verdadeira abolição da escravatura. Zumbi vive ... axé! Mestre Mão Branca Capoeira Angola
Não sabemos com certeza a origem da Capoeira Angola, alguns Mestres acreditam ter vindo da África, outros afirmam ter sido criada no Brasil pelos escravos africanos em ânsia de liberdade. Acredito que seja esta a origem, pois nem um escritor conseguiu encontrar nada que levasse a crer que a Capoeira Angola fosse africana. Apesar de sabermos que na África existia o "Jogo de zebra", ou N'Golo, que era praticado com bastante violência, fazia parte de um ritual onde os negros lutavam num pequeno recinto e os vencedores tinham como prêmio as meninas da tribo, que ficavam moças. Contam que, ainda hoje, existe um ritual semelhante em Katagun, na Nigéria.
O grande motivo pelo qual não conseguimos provar se a Capoeira é africana ou brasileira é que o Ministro da Fazenda, senhor Rui Barbosa, no governo Deodoro da Fonseca, mandou queimar todos os documentos com relação a escravidão no Brasil, dizendo ser muito vergonhoso para o Brasil, mas haviam outras razões pelas quais ele queimou estes documentos, que também não sabemos.
Os negros vindos para o Brasil eram em sua maioria de Angola, diziam ser mais ágeis, por terem estatura mediana e por isto tinham mais aproveitamento no trabalho e no jogo da Capoeira. O nome "CAPOEIRA" deu-se pelo motivo dos escravos ao fugirem para as matas, cujo nome é Capoeira. Os senhores mandavam os capitães-do-mato buscarem os escravos, que os atacavam com pés, mãos e cabeça, dando-lhes surras ou até mesmo matando-os, porém os que sobreviviam voltavam para os seus patrões indignados. Então os Senhores perguntavam: -"Cadê os negros?" e a resposta era: - Nos pegaram na Capoeira", referindo-se ao local onde formam vencidos. A Capoeira no meio das matas era praticada como luta mortal, já nas fazendas ela era praticada como brinquedo inofensivo, pois ela estava sendo feita por baixo dos olhos dos Senhores de Engenho e dos Capitães-do-mato; e naquele momento se transformou em dança, pois ela precisava sobreviver, uma luta de resistência. O nome Capoeira Angola surgiu quando o Senhor de Engenho flagrava os negros jogando, ele dizia: -" Os negros estão brincando de Angola". Movimentos muito raros nas fazendas. Com as fugas em massa das fazendas, a Capoeira se afirmava como arma de defesa no meio das grandes matas, onde situavam-se os Quilombos. Em 1888 a Lei Áurea aboliu a escravidão no Brasil e em 1890 baixou um decreto sobre a imigração que autorizava a entrada de africanos e asiáticos no País, somente mediante permissão do Congresso Nacional. A prática da Capoeira é incluída no Código Penal. Rui Barbosa decidiu queimar todos os documentos da escravidão no Brasil, mas a Capoeira resistiu apesar de ter sido usada por políticos para aterrorizar seus adversários. Ela sobreviveu e mais tarde transformou-se em cultura popular brasileira e com isto surgiram os grandes amantes da Capoeira Angola, como Besouro Mangangá, Valdemar da Paixão, Totonho de Maré, Cobrinha Verde, Canjiquinha, Caiçara, Atenilo, Nagé Traíra, Pedro Mineiro, Porreta, Sete Morte, Bento Certeiro e o famoso Vicente Ferreira PASTINHA, que escolheu a Capoeira como a sua maneira de viver, praticou e ensinou a Capoeira Angola por muitos anos e fundou o Centro Esportivo de Capoeira Angola, em Salvador/BA. Praticar Capoeira ...
Ao reunir com harmonia arte, música, poesia, folclore, artesanato, esporte, diversão, dança, jogo, luta, rituais e tradição, a Capoeira pode ser traduzida como a mais forte e completa expressão da cultura popular brasileira. Praticando Capoeira, você estará desenvolvendo de maneira integrada sua flexibilidade, agilidade, equilíbrio, resistência, potência muscular e respiratória, coordenação motora, ritmo, força, disciplina, elasticidade, concentração, sociabilidade, coragem, reflexo e criatividade. Desta forma, você estará aperfeiçoando sua capacidade individual frente a vida, brincando!
Confira os benefícios:
· Maior disposição para o trabalho, estudo e sexo
· Previne contra stress
· Combate o excesso e falta de peso
· Aumenta nossa força, reflexo, equilíbrio e agilidade
· Fortalece o sistema muscular, respiratório e cardiovascular
· Contribui para a regularização do sistema digestivo
· Oportunisa o domínio de eficazes técnicas de defesa pessoal
· Desenvolve a sensibilidade artística
· Atua como terapia, pois seu poder de concentração melhora o autocontrole emocional
· Enriquece nossa linguagem corporal
· Proporciona o contato com o mágico universo da cultura afro-brasileira, sua história, músicas, instrumentos e energia

Para saber mais, um bom lugar para se informar é o site "Capoeira Gerais" www.capoeira.esp.br/index2.htm